2004/10/30

O lugar que eu queria somente para mim...

Estou observando a Lua como a muito não observo mais. Perdi o costume ou perdi o romantismo, ou perdi a coragem. Mas o importante é que perdi a capacidade de ser imparcial com o céu estrelado e com uma lua cheia a brilhar, me vêm doces lembranças de um tempo que já se foi e me dá esperanças e visões de algo que ainda está para acontecer. Ligo as estrelas como se fossem pontos como uma criança se entretendo com inocentes brincadeiras, ou como um coração apaixonado. Não sei se desacpstumei ou o céu cada vez mais parece se apagar... as estrelas cada vez mais difíceis de se observar a olho nu.

Tudo isso é um prólogo para abordar o que ainda me causa saudades, vontades. Não são os filmes, nem o que já aconteceu, mas é certo que o por-do-sol me encanta, me fascina e me emociona. Da praia, céu parcialmente limpo, o sol em seu explendor máximo de astro-rei que repousa serenamente sob os lençóis de água e em abóbadas estreladas. Enquanto encaminha-se para seu repouso merecido cria nos céus uma gama de cores inéditas, um o espetáculo de tons igualmente fascinantes.

Assim, abre-se alas para a Lua com toda a sua realeza, Rainha da Noite. Em suas fases, sua metamorfose para a forma mais charmosa e cheia de encantos, os mistérios de suas fases são esquecidos quando caminha suavemente pelo chão de estrelas em seu explendor final, quando está cheia. Cheia de encantos, de resplendor, de brilho e de desejos; o início do fim. Chora, pois se é rainha, onde está seu príncipe encantado, aquele que a desposará e que serão felizes para sempre. Quis o destino que a mais linda história de amor fosse trágica, o herói não encontra mais a nossa heroína e a recíproca, infelizmente, também é verdadeira. As estrelas se comovem com a tristeza de sua realeza e se dispõem em diversos corações sobrepostos, sabem elas que esse não é o fim de uma história, pois no final tudo acaba bem. A Lua esmaece, se arrumara em vão, volta ao seu estado inicial, talvez volte a se tornar cheia algum dia. Finaliza-se a ciranda das estrelas nos céus ainda de luto pela trágica história. A Lua já se recolheu.

Nossa grandiosa majestade, o Rei Sol finalmente começa a despertar, e mal sabe ele que sua amada imortal acabara de se retirar, triste por não encontrá-lo. Um tolo, ele é. Levanta-se do horizonte e ilumina as águas criando tons frios como a água e sem cor, símbolo do amor que se foi e que ele não percebeu. Um tolo por não perceber as belezas que estão tão próximas e por ousar decepcionar os sonhos de uma rainha. É aurora, é hora da sinfonia dos pássaros e de colher as mais belas flores do jardim, regá-las e levá-las para quem as cuide como você cuida do que guarda dentro de seu coração. O calor do Sol aumenta e o calor que sentes no coração também.

Desperta ela em seus braços, linda como nunca. Um sorriso no rosto e aquele olhar. Aquele brilho no olhar. A sua íris. Mas no cantinho de seus olhos você vê. Vê, no cantinho daqueles olhos, o ritual do despertar do Sol. Ela olha para a aurora e lhe pergunta como que você perdeu o espetáculo. Mas você sabe que nada perdeu. Ela lhe pergunta como que você não vira o por-do-sol, não vira o céu estrelado, não vira a aurora ainda, só olhara para ela. Mas você sabe que nada perdeu. Continua a olhar fixamente nos olhos dela, aquele adorável olhar e exclama que não perdeu nada. Ela fica intrigada. E você diz que viu tudo, naquele cantinho dos olhos dela, no brilho do olhar, do olhar apaixonado. Conta ter visto uma linda história de amor, mas que não quer que a sua seja assim, trágica. Mas que se sua história for, só quer um lugarzinho para si, o cantinho do olhar apaixonado, o cantinho dos amores impossíveis, o cantinho do amor eterno. Esse é o cantinho que eu quero só pra mim...